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  • Rodrigo Pinheiro

Pessoas surdas e com deficiência: identidades, características e os dispositivos de acessibilidade


#PraGeral - nesta imagem temos três alunos sentados de frente em duas mesas unidas lateralmente. São eles um rapaz branco de cabelos castanhos claros. A sua esquerda estão duas moças brancas. A moça que está sentada mais próxima dele tem cabelos castanhos escuros, a esquerda dela está uma moça loira de cabelos cacheados. Em pé temos a professora de frente a eles e de costas para nós. A docente usa óculos de grau e tem cabelos ruivos, veste um terno preto e uma camisa de gola branca por dentro. Os alunos estão vestindo roupas comuns. Ele está de moletom bege. A colega ao lado usa uma jaqueta cinza, e a moça loira, um suéter preto. Todas estão observando o rapaz enquanto ele faz uso da língua de sinais.

Muitos não sabem, mas dentro da comunidade surda existe uma grande diversidade. Isso nos mostra que as pessoas surdas ou com deficiência auditiva são bem diferentes umas das outras. Essa percepção se torna ainda maior quando percebemos que elas não se comunicam da mesma forma, ou na mesma língua.


As pessoas Sinalizantes ou Sinalizadas e as Oralizadas


As pessoas surdas sinalizantes são as que mais enfrentam as maiores barreiras comunicacionais. Possuem de uma forma geral, grande dificuldade com as línguas escritas e, por isso, a comunicação através da língua de sinais, proporciona a elas liberdade e autonomia no dia a dia.


Na língua de sinais, a comunicação se faz por meio de gestos, expressões e leitura labial, além de possuir uma estrutura gramatical própria que surdos e mudos utilizam para se comunicarem com o restante das pessoas.


Já as pessoas surdas e com deficiência auditiva oralizadas, aprenderam a falar a língua oficial do país. Muitas são confundidas com pessoas ouvintes, pelo fato de saberem fazer leitura labial, o que lhes permitem oralizar (falar). Uma boa parte das pessoas oralizadas consegue atenuar a deficiência através do uso de aparelhos auditivos. Isso porque nem todas as pessoas nesse perfil são totalmente surdas e se dividem nos mais diferentes graus de surdes.


As Sete Identidades Surdas


Uma das mais reconhecidas especialistas do país na questão da surdez, a Profa. Dra Gladis Perlin propõe que existem 7 (sete) tipos de identidades surdas segundo a matéria de Sofia wu, Click Inclusão em 2021.


Identidades surdas ou políticas – optam em estar juntos uns dos outros surdos e, estabelecendo a convivência entre si. Essas pessoas não aceitam ser oralizadas, não têm interesse no método. São surdos inseridos na comunidade surda, frequentam associação e consomem conteúdos audiovisuais que tenham LIBRAS e Closed Caption (CC).


Identidades surdas hibridas – são pessoas que nasceram ouvintes, mas sofreram a perda auditiva em decorrência de alguma enfermidade. Aprendem a LIBRAS e vão adentrando, de forma progressiva na comunidade surda. Frequentam associações e utilizam a LIBRAS e Closed Caption (CC).


Identidades surdas flutuantes – são surdos oralizados e que sabem falar e escrever, esses indivíduos não têm contato com a cultura surda, não interagem com outros surdos e não participam da comunidade. Adotam a identidade ouvinte e em estar com pessoas ouvintes dentro da mesma comunidade. Pessoas com essa identidade não usam serviços de intérpretes/tradutores de LIBRAS e Closed Caption (CC).


Identidades surdas embaçadas – Por falta de orientação da própria família, esses indivíduos não aprenderam a Língua Portuguesa e nem mesmo a Língua Brasileira de Sinais. Devido a esses fatores, a comunicação é um obstáculo para eles; tanto com ouvintes quanto com surdos. Sem o português e a LIBRAS, eles se comunicam por meio de mímicas. São pessoas surdas que não estão inseridas em nenhuma das comunidades.


Identidades surdas de transição – As pessoas oralizadas que integram a comunidade ouvinte. Em um determinado momento da vida, conhecem a comunidade surda e se sentem interessadas em pertencer àquele grupo ao verem seus membros sinalizando por meio da LIBRAS. Permanecem por um tempo na comunidade sem deixar o oralismo para trás por completo.


Identidades surdas de diáspora – são indivíduos que costumam se deslocar a outros lugares do mundo, do país, ou de um grupo surdo para outro. Desta forma estabelecem contato com surdos de outras origens e nacionalidades. Conseguem se comunicar através de uma Língua de Sinais distinta da sua. Possuem bagagem cultural maior que os demais.


“Assim como existem diferenças entre as línguas que utilizam a fala, a Língua de Sinais também não é a mesma que a de outras regiões, outros estados ou/e outros países”.


Identidades surdas intermediárias – são indivíduos que falam (oralizados) e escutam bem a Língua Portuguesa. Podem pertencer tanto a comunidade ouvinte quanto a comunidade surda. Também sabem sinalizar com a Língua Brasileira de Sinais. Podem ou não consumir conteúdos audiovisuais que possuem intérpretes/tradutores de LIBRAS ou Closed Caption (CC).


“Independente de qual identidade e cultura um surdo possa identificar-se, o respeito e a empatia continuam sendo as palavras-chave para que possamos construir uma sociedade mais inclusiva e acessível para todos. Entretanto, o senso de mudança deve partir de dentro de nós, para impactar, posteriormente, a vida em comunidade como um todo de modo positivo” Sofia wu, Click Inclusão 2021



Na imagem, uma mãe está de costas para nós e está se comunicando através de língua de sinais com a sua filha de aproximadamente 5 anos que está de frente para nós. A mãe usa um suéter branco e calça azul. Ela tem cabelos longos e castanhos claros e usa um elástico rosa prendendo os cabelos. A criança usa um suéter azul claro e calça azul. Ela está sorrindo para mãe enquanto tenta fazer o mesmo sinal que a mãe está fazendo com as mãos.

Falar com o bebê, mesmo após a descoberta da surdes é de extrema importância


No primeiro ano após o nascimento da criança, a surdez é dificilmente percebida pelos pais. Quando o bebê chora, a mãe procura acalmá-lo conversando com ele. A presença materna acalenta o neném. Mas a mãe não sabe que a criança não consegue ouvir sua voz. Na maioria das vezes, a descoberta acontece após 1 ou 2 anos de idade.


Ao descobrir a surdez do filho, as mães em sua grande maioria passam a usar menos a voz para se comunicar com a criança. Falar diretamente com o filho se torna uma atitude cada vez menos decorrente, outras mães simplesmente deixam de utilizar a palavra com as crianças. Situações que podem parecer compreensíveis, mas não incentivam o desenvolvimento da criança.


Os bebês ouvintes (que não possuem deficiência auditiva) aprendem primeiro a falar. E só então, aprendem a escrever, quando já não são mais bebês. Para essas crianças, é muito mais fácil aprender a língua oficial, porque já estão habituadas com a entonação da voz.


Por outro lado, as crianças surdas têm muita dificuldade em aprender uma língua escrita devido a questão da fonética. A audição é essencial para a aquisição da linguagem falada, e sem aprender a falar, se torna muito difícil aprender uma língua escrita.


Ao contrário do naturalmente imaginamos, os pais devem sim, falar sempre com a criança surda desde bebê. É importante que essa comunicação oral seja feita olhando de frente para a criança. De forma a permitir que ela acostume e perceba a existência dessa forma de comunicação. Isso irá ajudá-la a desenvolver a fala, se e se tornar oralizada.


Mas afinal, todo surdo é mudo?


Depois de todas as informações lidas anteriormente nesta abordagem chegamos a conclusão que dizer que todo surdo é surdo–mudo não é correto. Da mesma forma que usar a expressão “Surdo-Mundo” é um equívoco.


Muitos não sabem, mas a maioria dos surdos têm as cordas vocais em perfeito funcionamento. Através de sessões com profissionais da área de fonoaudiologia, essas pessoas conseguem desenvolver a fala e se tornam oralizadas. Dentro da comunidade, os surdos que também são mudos, são minoria.


A maioria das pessoas acaba concluindo que os surdos são também mudos pelo fato de não ouvirem. É verídica a ideia de que nós aprendemos a falar ouvindo, porém a expressão “mudo” tem relação com outro sentido.


Conhecendo os limiares de Audição


Nesta imagem temos a ilustração com base no trabalho de Roeser & Downs, Martinez (2000) propõe a seguinte classificação dos limiares de audição descritosabaixo.

Audição normal - 0 a 15 dB

Deficiência auditiva suave - 16 a 25 dB

Deficiência auditiva leve - 26 a 40 dB

Deficiência auditiva moderada - 41 a 55 dB

Deficiência auditiva moderadamente severa - 56 a 70 dB

Deficiência auditiva severa -71 a 90 dB

Deficiência auditiva profunda - acima de 91 dB


Recursos de acessibilidade


Existem diferentes recursos para garantir acessibilidade as pessoas com deficiência auditiva. Cada um deles atende especificamente as características de cada pessoa, levando em consideração os aspectos da deficiência que a levam a ser sinalizante ou oralizada.


Mas primeiro vamos falar sobre o que é acessibilidade


De acordo com a nossa legislação, mais especificamente a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015):

I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida;


Em outras palavras, a acessibilidade tem a finalidade de remover empecilhos através de um conjunto de ações, viabilizando a inclusão de pessoas com deficiência e garantindo que elas tenham acesso a tudo que alguém sem limitação teria. Com segurança e autonomia, a acessibilidade assegura as pessoas com deficiência o acesso ao mundo em toda sua pluralidade: educação, trabalho, transporte, serviços públicos, comunicação, tecnologia, entretenimento…



Nesta imagem temos um sistema de acessibilidade em libras e legendas descritivas ProAccess sendo utilizada dentro de cinema por um usuário que está de costas.

Closed Caption ou Legenda descritiva


A legenda descritiva permite que surdos e ensurdecidos, além de idosos, espectadores em ambientes ruidosos, entre outros possam ter acesso ao conteúdo de um filme ou vídeo.


A legenda inclui na escrita os sons dos ambientes em que acontecem o filme. Sons de trovões, passos de pessoas se aproximando, uma música romântica de fundo, disparos de armas de fogo, som de ambulância, entre uma infinidade de sonoridades.


É muito importante trazer essas informações pra quem não ouve, porque elas proporcionam muito mais entendimento e inteligibilidade ao filme.


Por isso, a questão da qualidade é fundamental para obtenção do resultado final no compromisso de tornar os filmes acessíveis as pessoas com deficiência, uma questão de inclusão social.


É muito importante que as legendas descritivas no cinema, estejam totalmente compatíveis com os padrões da Agencia Nacional de Cinema (ANCINE). Seguindo com afinco todas as normas técnicas do setor. Por isso a participação dos usuários surdos no processo de avaliação da qualidade da legenda descritiva é necessária.


LIBRAS


No cinema, a LIBRAS exerce a mesma função das legendas e a legendas descritivas para os surdos e pessoas com deficiência auditiva sinalizantes ou sinalizados. O recurso traduz paralelamente a obra cinematográfica de forma sincronizada e respeitando as adequações estéticas necessárias.


A LIBRAS realiza a tradução das falas dos personagens, respeitando a espacialidade do discurso e as informações extralinguísticas (expressões faciais e gestos), e ainda traduz os sons e ruídos do ambiente cinematográfico (gritos, cantos dos pássaros, passos de pessoas que se aproximam, sirenes, trovões...).


A Língua Brasileira de Sinais é o meio de comunicação oficial da Comunidade Surda, enquanto que o português é considerado a segunda língua da comunidade. É por meio da difusão e uso da LIBRAS que o Surdo tem conquistado espaço social.



“O intérprete de LIBRAS é intérprete não apenas da Língua de Sinais Brasileira, mas também da cultura e das lutas do povo Surdo”, Gladis Perlin, doutora em Educação e professora adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina, com experiência na área de Educação de Surdos.


A LIBRAS que no início era chamada de "Língua Nacional de Sinais", foi inspirada na "Língua de Sinais Francesa". Possui sua própria estrutura gramatical, contemplando todos os requisitos para a sua oficialização como língua, baseada no português.
















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