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LIBRAS: Uma Viagem pela Comunicação Visual e Inclusiva

Atualizado: 13 de dez. de 2023

Ao iniciarmos nossa jornada pela história da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), é essencial esclarecer que não estamos nos referindo a um signo do zodíaco, à moeda britânica ou a uma unidade de peso. LIBRAS é a sigla que representa a rica expressão linguística utilizada pela comunidade surda no Brasil.


Mãos fazendo as letras "A", "B", "C" e "D" em LIBRAS.

LIBRAS ou libras?

Ao abordar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), frequentemente nos deparamos com uma dúvida crucial: devemos escrever LIBRAS com letras maiúsculas ou libras em letras minúsculas? Essa questão, aparentemente simples, carrega consigo nuances importantes relacionadas ao reconhecimento e respeito pela comunidade surda e sua língua.


A escolha entre LIBRAS e libras vai além de uma mera questão gramatical, reflete um posicionamento respeitoso em relação à identidade linguística e cultural da comunidade surda. O reconhecimento da LIBRAS como língua oficial no Brasil, conforme estabelecido pela Lei nº 10.436/2002, reforça a importância de utilizar a sigla em letras maiúsculas.


Como surgiu a LIBRAS?

A trajetória da LIBRAS remonta ao século XIX, durante o período do Segundo Império brasileiro. O ponto inicial dessa história fascinante está vinculado ao convite feito pelo imperador Dom Pedro II ao estudioso francês Ernest Huet. Mas por que um educador formado no Instituto Nacional de Surdos de Paris foi solicitado a atravessar o Atlântico até o Brasil?


Embora não tenhamos registros precisos sobre qual membro da família real era surdo, especula-se que poderia ser um dos netos de Dom Pedro II. O imperador, reconhecendo a importância da comunicação para o desenvolvimento educacional e social do jovem familiar, tomou uma decisão crucial. Em 1855, Ernest Huet, também conhecido como Eduard Huet, propôs um projeto visionário que transcenderia a solução para a deficiência do membro da realeza: a criação da primeira escola para surdos no Brasil.


Os estudos de Huet revelaram uma realidade surpreendente: a quantidade de surdos no país era muito maior do que se imaginava. Impulsionado pela convicção em ajudar seu familiar e ciente da necessidade de promover a educação e a comunicação para a comunidade surda, Dom Pedro II assumiu integralmente os custos da vinda de Huet para o Brasil, uma decisão que moldaria o futuro da inclusão e da linguagem para os surdos no país.


A Gênese do IISM e a Evolução para o INES: Uma Jornada de Quase Dois Séculos

Crianças surdas conversando em uma escola através da LIBRAS

Em um marco histórico para a educação de surdos no Brasil, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos (IISM) foi fundado no Rio de Janeiro em 1857, dois anos após o convite do imperador Dom Pedro II ao educador francês Ernest Huet. Inicialmente, a instituição focava sua atenção exclusivamente em crianças surdas do sexo masculino, refletindo os padrões sociais da época.


Ao longo dos anos, a instituição passou por várias mudanças em sua nomenclatura, mas sua resiliência se destacou ao resistir e evoluir durante quase dois séculos. O IISM transformou-se no renomado Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), situado no Rio de Janeiro.


(clique para expandir) Curiosidade: O termo Surdo-Mudo é incorreto


Ernest Huet, o visionário educador francês, desempenhou um papel crucial na trajetória do IISM. Lecionando e ocupando a direção da instituição até 1861, ele introduziu o método da "Comunicação Total". Essa abordagem tinha como principal objetivo ampliar as possibilidades de comunicação dos surdos no âmbito familiar e escolar. A mudança para o México em 1861 marcou o fim de sua contribuição direta ao IISM, mas seu legado perdura na base educacional estabelecida durante seu período de liderança.


A evolução do IISM para o INES não apenas reflete a adaptabilidade da instituição ao longo do tempo, mas também demonstra um compromisso contínuo com o avanço da educação e inclusão para a comunidade surda no Brasil. Essa jornada histórica destaca a importância de preservar e promover instituições que desempenham um papel vital na construção de um ambiente educacional inclusivo e acessível para todos.


Da Pré-História ao Reconhecimento Moderno

Na remota Era Pré-Histórica, aproximadamente 60 mil anos atrás, a comunicação entre os seres humanos florescia por meio dos movimentos das mãos e dos braços. A necessidade de se expressar verbalmente surgiu à medida que as mãos eram cada vez mais utilizadas para manusear artefatos e ferramentas ao longo da evolução humana. Gradualmente, os sons vocais assumiram o protagonismo, substituindo os gestos e evoluindo para a linguagem falada que conhecemos hoje.


O crescimento das sociedades e das civilizações trouxe consigo desafios para os surdos, que muitas vezes eram submetidos ao isolamento e à marginalização. Em civilizações antigas como a Grécia e a Roma, os surdos eram frequentemente desconsiderados como seres humanos competentes, sendo privados de seus direitos, incluindo heranças.


Ilustração do frei Pedro Ponce de León
PEDRO PONCE DE LEON (✯1520 - ✟1584)

Na transição da Idade Média até o século XII, uma crença persistente permeava a sociedade: a alma dos surdos não era considerada imortal, devido à suposta impossibilidade de pronunciar sacramentos. No entanto, na Idade Moderna, um monge beneditino espanhol, Pedro Ponce de León, assumiu a missão de se tornar o primeiro professor de surdos da humanidade.


Pedro Ponce de León não apenas assegurou o direito de herança para seus alunos surdos por meio do ensino, mas também desenvolveu o primeiro manual de ensinamentos de escrita e técnicas de oralização. De maneira surpreendente, ele demonstrou que os surdos eram capazes não apenas de aprender, mas também de dominar diferentes idiomas falados.


CHARLES-MICHEL DE I'ÉPÉE
CHARLES-MICHEL DE I'ÉPÉE (✯1712 - ✟ 1789)

No século XVIII, um grande nome surgiu na história da linguagem de sinais: o professor francês Charles-Michel de l'Épée. Abade dedicado, Michel educou surdos alinhando-se aos princípios do cristianismo e recebeu o título de "pai dos surdos" de especialistas renomados. Em 1755, Charles-Michel de l'Épée criou um alfabeto de sinais pioneiro, utilizado para alfabetizar seus alunos surdos.


Outros contribuidores notáveis, como Juan Pablo Bonet e John Bulwer, desempenharam papéis cruciais na defesa do uso de sinais gestuais para a criação de uma língua específica para os surdos. O reconhecimento moderno da Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) e outras línguas de sinais no mundo é um testemunho da rica história e da perseverança da comunidade surda ao longo dos séculos.


Uma Língua que Rompe Fronteiras

A Língua Brasileira de Sinais, mais conhecida como LIBRAS, tece uma história fascinante que remonta ao século XIX. Inicialmente denominada "Língua Nacional de Sinais", a LIBRAS encontrou inspiração na "Língua de Sinais Francesa". Sua trajetória evolutiva culminou em uma estrutura gramatical única, atendendo a todos os requisitos para sua oficialização como língua, fundamentada no português.


Diferentemente das línguas faladas, as línguas de sinais possibilitam a comunicação por meio de gestos, expressões faciais e corporais. Apesar de compartilharem a modalidade visual-gestual, é importante ressaltar que não são universais. Cada país possui sua própria língua de sinais, uma reflexão da diversidade linguística global.


Criança falando através de linguagem de sinais

Assim como falamos português no Brasil e francês na França, cada língua de sinais foi desenvolvida para atender às nuances linguísticas de seu país de origem. No contexto brasileiro, a LIBRAS não apenas reflete a língua portuguesa, mas também incorpora elementos culturais distintos, enriquecendo sua expressividade e singularidade.


Além disso, é relevante observar que as línguas de sinais podem apresentar variações regionais, assim como as línguas faladas. Essas nuances refletem a riqueza da diversidade cultural e linguística, destacando a importância de reconhecer e valorizar as particularidades de cada comunidade surda.


Língua, ou Linguagem?

A distinção entre linguagem e língua é crucial para compreender a complexidade e a riqueza da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Como afirmado por Katyucha de Oliveira, em um artigo para o Brasil Escola:

A linguagem é o mecanismo que utilizamos para transmitir nossos conceitos, ideias e sentimentos. Trata-se de um processo de interação. Qualquer conjunto de signos ou sinais é considerado uma forma de linguagem. Já a língua é um código verbal característico, ou seja, um conjunto de palavras e combinações específicas compartilhado por um determinado grupo.

Entretanto, a língua é um código verbal característico, um conjunto específico de palavras e combinações compartilhado por um grupo determinado. Quando aplicamos esses conceitos à LIBRAS, surge uma perspectiva única e enriquecedora.


A LIBRAS transcende a mera categorização como linguagem. Ela se destaca como uma língua completa, com gramática e estrutura próprias. Assim como o português, inglês ou qualquer outra língua falada, a LIBRAS é um sistema linguístico que evoluiu organicamente, incorporando nuances culturais e regionais.


Ao considerar a LIBRAS como uma língua, não apenas reconhecemos sua complexidade, mas também validamos a identidade linguística das comunidades surdas. A oficialização da LIBRAS como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, por meio da Lei nº 10.436/2002 e do Decreto nº 5.626/2005, representa um marco importante na promoção da inclusão e no respeito à diversidade linguística.


Portanto, ao abordar a LIBRAS, devemos ir além da concepção de linguagem e compreender sua natureza como uma língua viva, capaz de transmitir nuances, emoções e pensamentos de maneira tão rica quanto qualquer outra língua do mundo. Essa compreensão mais ampla não apenas fortalece a aceitação da LIBRAS, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e equitativa.


O ProAccess abraça todos os públicos

Pensando em tornar cinemas e teatros um espaço acessível para todas as pessoas, o ProAccess surgiu, atendendo a necessidade que cegos e surdos possuem ao assistir um filme ou uma peça de teatro.


Desenvolvido pela Riole, um dos recursos oferecidos pelo nosso sistema, é o display de LIBRAS, que transmite as falas dos personagens em tempo real, dentro da sala de cinema, em um display de baixa luminescência, garantindo que todos utilizem o mesmo espaço, sem segregação.


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A Riole é uma indústria especializada em produtos e sistemas de áudio e vídeo que oferece soluções exclusivas de comunicação para o setor industrial, gerenciamento de plenários legislativos, tribunais e conselhos, equipamentos de tradução simultânea para eventos multilíngues, além de acessibilidade para salas de cinema.

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